sábado, 1 de novembro de 2008

É preciso conter a padronização comportamental que assola nossa juventude

Uma das questões que vem me preocupando muito ultimamente, é a crescente padronização do comportamento de nossos jovens. Ao analisarmos os grupos sociais, podemos observar que fazendo o mau uso da informação globalizada, cada vez mais a juventude incorpora uma rotina quase que robótica de comportamento e, diga-se de passagem, um comportamento extremamente inócuo para o desenvolvimento da sociedade. Esse comportamento robotizado é percebido através da música, roupas, tecnologia e outros afins. A música de hoje infelizmente perde muito do lirismo e mais ainda da inteligência em suas letras que na maioria das vezes apresentam uma estrutura amplamente deficitária e toca tanto na periferia quanto nas altas rodas sociais habitadas pela burguesia. As roupas e calçados de grife que habitam os “closets” burgueses também são copiados e vendidos a preços módicos, porém altos para o padrão dos pobres, na periferia, nos centros urbanos através dos vendedores ambulantes. Tem muitos jovens que pedem lápis e cadernos nas escolas públicas, outros realizam pequenos delitos, outros constrangem seus Pais exigindo-lhes o sacrifício de comprarem o seu “Nike Coreano”, mas não deixam de se vestir na tendência ditadorizada para se sentirem parte do grupo. Mas uma das formas de padronização que me deixa mais intrigado, é a questão da “Internet”. Falta o Gás na residência das pessoas, mas o e-mail, MSN, Orkut e afins quase todos os jovens tem e obviamente que não utilizam de maneira profícua. Convém ressaltar, que a minha luta é por uma sociedade igualitária, e que em nenhum momento cometeria a insanidade de questionar a inclusão digital, pois estaria contradizendo os meus conceitos e a razão de expor democraticamente a minha linha de pensamento nesse fórum on-line. O meu questionamento se dá ao fato de que jovens de classes sociais diferentes irmanam a utilização dessas ferramentas formidáveis para o péssimo uso. Em qualquer casa onde se tenha um computador e uma internet disponibilizada, você poderá observar a voracidade com que o jovem se atira aos braços do famoso “MSN” onde inventa as suas próprias regras gramaticais, mesmo sem nenhum embasamento ortográfico e literário, para falar na maioria das vezes de assuntos irrelevantes ou o aproveitamento dos “pedagógicos joguinhos on-line do tipo a cada dez pessoas assassinadas um bônus” ou outras formas grotescas e absurdas de jogos similares ao “GTA”, propagando a violência. Como já não bastasse a real vivenciada no dia a dia e tão explicitada nos veículos de comunicação. As raras vezes que utilizam para fazer um trabalho escolar, geralmente tentam apenas copiar as suas pesquisas e configurar depois sem ao menos darem-se ao trabalho de ler. E por falar em leitura, infelizmente esse grande hábito, a sociedade não consegue padronizar. É lamentável a baixa per capita de livros da população brasileira, Eu que tenho bastante contanto com os jovens, não costumo vê-los com um livro nas mãos. A não ser que seja uma tarefa escolar geralmente cumprida de mau humor. E sendo assim proliferam os famosos “miguxos”“ ñ”, “vc” e uma série de novas criações ortográficas que algumas pessoas, inclusive cultas, tentam me convencer que é normal e que devemos nos adequar. Se todo o modernismo fosse essencial, ao invés de ler Kant, Rousseau, Maquiavel e outros grandes pensadores do passado, deveríamos buscar subsídios em alguma comunidade do Orkut profunda como: “Eu adoro dormir de pantufinha”, “Seu Madruga é colorado” ou “Eu quero uma bola quadrada”. Se continuarmos falhando na orientação de nossos jovens, ora por omissão ora por nossa incompetência, estaremos assinando em baixo a permissão para que esta estúpida padronização alienativa continue no seio de nossa juventude e por conseqüência O que eles poderão passar aos seus filhos? A reflexão urge e a estagnação de parte da nossa sociedade já não pode mais ser suportada e por isso devemos harmonicamente estudar alternativas e impor um revês a este status quo.


Daniel da Luz Machado (Poeta e Cronista)

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